terça-feira, 23 de maio de 2017

15-11-2016: Conselhos no Whatsapp

No mesmo dia 2, a noite, puxei assunto no whatsapp pra não tentar deixar climão. Mesmo assim, ainda estava um clima estranho.
No dia seguinte, novamente puxei papo e conversamos um pouco sobre assuntos aleatórios.
Passaram-se 7 dias até eu tentar de novo um contato. Mandei um oi e ele respondeu com outro oi. E morreu aí.
Mais 5 dias de inércia até que vi ele discutindo no facebook com um outro rapaz e resolvi bater um papo:

Eu: Vanpará de brigar no facebook? Kkkkk Bom... só toma cuidado com seu lado público
Ele: Meu lado publico defende quem é oprimido
Eu: Mas mesmo se a pessoa vem agressiva, vc pode dialogar sem pedras. Acho que assim vc converte o ódio, nao declina do seu ponto de vista e sai fina e educada!
Ele: Tem gente que nao dá.
Eu: Só acho que rebater odio com odio nao resolve...
Ele: Exato. Por isso não rebati ódio com ódio. E eu tenho um bom medidor pra isso. E mesmo que fosse preciso ódio, fazer algo contra o errado (em situações em que se necessita) é melhor que a inércia
Eu: Sim. Mas penso que, cada vez menos, alguém vai querer te contestar ou expressar opiniao contrária, pois ja sabe que vc rebaterá sem um diálogo saudavel.
Ele: Mas, cara, diálogo saudável nem sempre é ser polido, calmo e cheio de etiqueta. A gente dá o que tem, mas também tem que dar do jeito que a pessoa consegue compreender. Se quiser compreender. Se a pessoa não quer, a gente só deixa exposto pra quem tem sanidade ou praqueles que a gente pode mudar. Não é a toa que o povo ta lá rebatendo ele, curtindo o comentário explicativo e etc. O meu dever foi cumprido
Eu: Ok... como eu disse... nao estou certo nem errado... só to comentando. Mesmo que ao seu ver tenha funcionado, acho que poderia ter sido diferente e talvez sim polido e educado. Pra no futuro olhar pro post e ver algo explicativo e nao um "casos de família” mas ok ok... quem sabe se houver uma próxima vez vc nao testa algo mais calmo e ponderado e vê se funciona da mesma forma.
Ele: “Não estou certo, nem errado” é um jeito de fugir da raia. Simplesmente pq nao fala: é isso e sai do muro? Eu nao tenho que ser a miss simpatia, e também sei ser ponderado nesses pontos. E tenho certeza que em 3 anos eu verei isso e vou ficar contente coma reação que tive dentro dos ideias que tenho hoje.
Eu: Eitaaa... relaxa... pq essas pedras?  Só comentei meu ponto de vista e mesmo nele nao estou certo nem errado. Isso nao é ficar no muro, é sensatez... é saber reconhecer que pode haver outras idéias, opinioes que podem fazer mais sentido e mudarem a minha.
Só rebato quando tenho certeza e posso provar, tipo quando alguem diz que o "y" de cyndi lauper é no final do nome quando eu sei e posso provar que nao é. Tipo isso.  Só quis dizer com tudo isso, que talvez nao valha todo o stress.
Ja briguei muito no Facebook, e nao me levou a nada. Só me fez ter um momento de adrenalina q nao sei dizer se é bom ou ruim.
Hoje, o maximo que faço é brincar de forma saudável com meus amigos de extrema esquerda e rir quando me chamam de coxinha
Ele: Arrogante da sua parte se julgar sensato. Mas não está certo, nem errado
Eu: Hahahahha boa.  Mas pra gerar menos odio no mundo, a frase poderia ser assim: "vc nao acha que aparenta ser um tanto arrogante da sua parte se julgar sensato e ao mesmo tempo se contradizer se dizendo nem certo nem errado?".
Acho q dessa forma colocaria a pessoa pra pensar e se auto-analisar. Nao?
Ele:  pra gerar menos ódio, vai tomar no cu.

02-11-2016 - Minha senha pro "Café"


Tudo começou na noite do dia 1. Ele disse que precisávamos nos ver, que estava com saudade. E eu respondi com uma frase da Ines Brasil “Me Chama Que Eu Vo!”. Duas horas da manhã ele respondeu “Vem!”, mas eu estava dormindo.
Acordei e respondi que havia perdido a oportunidade. Ele disse ter ficado acordado até as 4h30. Era 9h da manha e a gente já estava conversando, será que ele dormiu mesmo?
Acordei com fogo e comecei a atirar com piadinhas de duplo sentido, mas no fundo eu realmente estava brincando.
Daí ele falou: “agora sério, se quiser vir bater um papinho agora pela manha, eu to livre até umas 13:30”.
Saí de casa as 11h30, cheguei lá 12h15. Conversamos um pouco e ele pediu pra eu fazer uma massagem nele. Fiz. Fiz bem até. Depois deitei do lado dele na cama e acabou rolando.
Sim. Sexo.
O sexo mais mecânico da minha vida. Eu pensava em mil coisas. Queria parar. Queria ir embora. E ao mesmo tempo queria continuar.
Em determinado momento, ele me perguntou se eu estava feliz. Isso só piorou a situação. Isso não se pergunta. Tipo, oi?
Terminamos mais ou menos as 14h. O amigo dele não estava em casa nesse dia.
Pela performance, notei que eu não era o primeiro daquele dia. As senhas do Café.
Sim, eu fui uma senha de café.
Ele nem tomou banho, se vestiu e disse que tinha um compromisso, uma reunião. Saímos e ele subiu comigo em direção ao metrô. Eu não sabia o que dizer e comecei a falar sobre diversos assuntos aleatórios só pra mostrar que estava tudo bem.
Em determinado momento, ele virou e disse “Bom, eu vou por aqui, minha reunião é pra lá!”.
Segui sozinho.

Certamente ele não tinha reunião. Mas tinha mais senhas a chamar e provavelmente voltou pra casa.

21-10-2016


Dia da festa de divulgação do canal dele.
Eu queria muito ir, mas eu sabia que seria ruim pra mim. Ele não me daria atenção, já que era o anfitrião da festa, e eu poderia me machucar vendo ele com outras pessoas.
Decidi não ir. Ele demonstrou ter ficado chateado por whatsapp.

Depois rolou outro Happy Hour mas também não fui. Ele foi.

02-10-2016 - Conhecendo o termo "Café"


Houve uma gravação, mas eu não fui. Nem fui convidado também.
No meio da tarde chegam varias mensagens no meu celular, dele e de uma amiga que estava gravando com ele.
Estavam me chamando para uma festinha na casa de uma famosa youtuber.
Aceitei.
Marcaram as 19h no Metrô Vila Madalena.
Cheguei 18h30 e fiquei aguardando. Deu 19h e recebi uma mensagem dessa amiga falando que ia atrasar e pedindo pra me encontrar num Pão de Açucar as 19h30.
Fui andando até o tal mercado. Cheguei lá e recebi outra mensagem de que ela atrasaria mais ainda e que chegaria as 20h.
Comecei a ficar irritado. Eles chegaram ao mercado as 21h. Ela, o namorado e ele.
Ele veio me dizer se na festinha eu poderia fingir ser namorado dele pois haveria um outro moço lá que ele não suportava e que dava em cima dele. Um pouco a contra gosto aceitei.
Ele disse que eu poderia até beija-lo se fosse o caso.
Lá na festa, nada aconteceu. O rapaz em questão nem deu em cima dele, e nem sei se daria.
Foi uma noite divertida, e sem nenhuma possibilidade extra.
A festa acabou e fomos embora. Resolvi acompanha-lo até a casa dele, pois era noite e perigoso.
No caminho, surgiu um papo estranho. Ele começou a me contar sobre suas atuais aventuras sexuais. Disse que muita gente dava em cima dele e que em determinados dias de tédio, ele chamava essas pessoas pra um café e que a pessoa tinha meia hora.
O “Café” em questão era um código. Uma senha. Era meia hora de sexo. E assim ele tomava vários cafés por dia.

Achei sujo.

29-09-2016 - A volta


Foi a primeira vez que nos vimos depois da viagem dele pro Chile.
Marcamos de ir juntos no Happy Hour. Nos encontramos no metrô. Eu estava com novas expectativas, mas ele foi acompanhado de um editor do canal.
Lá, assistimos uma palestra e logo ele fugiu para socializar com outras pessoas, me deixando sozinho com o editor do canal.
Durante o Happy Hour ele começou a dar atenção para outro rapaz. Um cara estranho. Tirou até foto com ele.
Eu tratei de socializar com outras pessoas e deixa-lo ali.

Cansei e decidi ir embora. Ele disse que iria junto. Pegamos um Uber até o metrô e nos despedimos normalmente.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

03-09-2016 - A pausa


Depois de mais conversas diárias e intensas no whatsapp, ele me pediu pra ajuda-lo em mais um sábado. Dessa vez ele queria que eu fosse o câmera-man, pois o dele não havia dado sinal de vida até o momento.
Fui na maior boa vontade. Fiz meu trabalho. Foi cansativo.
Ele já não me deu a atenção ou o carinho que eu estava acostumado. Não fui atrás de peças, mas elas sempre apareciam. Naquele dia não. E eu acabei me enchendo. Me irritei. Fiquei de mau-humor.
O elenco foi todo embora junto, a pé, até o metrô. Eu fui quieto. Estava irritado. E nesse momento ele me convidou pra participar do projeto dele. Fazer parte do elenco fixo. Eu neguei. Não só pela minha desconfiança de ser isso que ele queria desde o começo, mas também pelo fato de isso me tirar dos meus projetos pessoais e não me trazer retorno.
Neguei, e não me arrependo.
Continuamos com nossas conversas por Whatsapp até que ele entrou de férias e foi viajar pro Chile com o rapaz que mora com ele.

Foi a primeira vez em um mês e pouco, que deixamos de nos falar.

01/09/2016 - A Declaração

No dia primeiro de setembro eu escrevi um textão me declarando. Não estava meio apaixonado e queria ter respostas. Me sentia enrolado.

Segue o textão enviado:

SOBRE UM PASSADO NÃO TÃO DISTANTE

Uma vez nu Happy Hour cruzei com um carinha, bonitinho até, nosso olhar se entrelaçou e ele veio falar comigo. Disse que me conhecia de algum lugar e eu só pensando "Huuum, conta outra"... O cara me cantou em vários momentos, não sou burro! Me abraçou, me apertou, cheirou meu perfume, e na hora de ir embora ainda me deu meio selinho, fiquei meio whatafuck? mas continuei na festa. Ainda na festa, um amigo dele me perguntou se eu me apaixonava fácil, respondi que não, mas aquilo ficou meio marcado, qual seria o interesse? Até que, chegando em casa, tinha uma mensagem desse cara no meu celular e começamos a conversar diariamente. Me lembrei então que eu não conversava diariamente nem mesmo com minha melhor amiga, mas ok, o problema poderia ser eu. 

Sempre fui de boas, nunca fui de me apaixonar rápido, ou fácil, mas tava achando tudo muito estranho... ok, pessoas são diferentes, mas a gente sempre utiliza da experiência que a vida dá pra poder desvendá-las. 

Fui até a casa dele pra gravar uma participação num vídeo. Lá, rolou tudo normal, talvez seria um sinal eu ter ganhado um chocolate, mas também poderia ser gentileza. Em um determinado momento ele me abraçou na cozinha e durante aqueles 5 segundos ou menos até, eu senti aqueles sinos baterem, sabe aqueles anjos com cornetas? Pois é... até me excitei e ainda pensei de novo whatafuuuck!??? Depois da gravação, nos despedimos e estranhamente rolou o meio selinho de novo.

Resolvi pagar pra ver, me virei em 10 pra estar livre num sábado pra levar esse tal cara pra gravar na casa de uma colega, mas no lugar de desvendar enigmas, acabei por ganhar mais outros. Na volta, na rua, tudo escuro, ele resolveu reduzir o passo, e minha cabeça já pensando "o que é que ele quer?" "ser assaltado?" "quer que eu roube um beijo?" "o quê?". Não passou de uma conversa sobre bloqueios, barreiras, etc...

Na semana tentei pedir dicas, sinais, e ele me disse apenas que não jogava confete. Talvez eu, um tanto burro, tenha interpretado os sinais errado? Ainda não.. na minha cabeça, ali tinha algo a ser desvendado. Comecei a achar que ele estivesse fazendo joguinhos, e eu não me dou bem com joguinhos.

Durante a semana, ouvi "Kiss The Rain" da Billie Myers no rádio num dia de chuva e me lembrei de um sonho de adolescente que era beijar alguém na chuva ao som dessa música (algo bem cliché, apesar do significado da música ser outro). E ainda passou pela minha cabeça que talvez ele fosse a pessoa que eu quisesse realizar isso.

Sábado chegou e ele novamente me chamou pra gravar. Em determinado momento fomos ao mercado e lá estávamos conversando e interagindo como se fossemos namorados... carinhos, mãos dadas, mordidas... meu, o que é que tá rolando? Até peguei ele no colo.

Nesse dia, lá na gravação, tinha outro rapaz (o qual tive que beijar em cena...) e vi que ele tinha o mesmo tipo de carinho (em menor intensidade talvez) com esse outro rapaz, ok, então é só o jeito dele de tratar as pessoas, não sei... Mas comecei a analisar que ele só tratava assim as pessoas novas em sua vida, as antigas não recebiam carinho desse jeito.
Comecei a pensar em outra coisa: "será que ele seduz as pessoas pra, sei lá, trabalharem pra ele de graça?"

Nada fazia 100% de sentido...

Até que, na hora da despedida, alguém me falou "Até sábado!" - e eu logo rebati "Oi?! Sábado!?" - não tínhamos marcado nada pra sábado. E a pessoa completou "Ai, não posso falar muito, mas até sábado! Você vai ver..." - fazia tempo que não me encucava com algo, e essa frase me fez ter um pouco mais de certeza de que estava sendo usado. Não tinha como pensar diferente de uma pessoa que eu havia conhecido a 15 dias. Ou tava me usando, ou tava afim também, mas pelos sinais, fiquei com a primeira opção. Falei pra mim mesmo que iria negar qualquer proposta que viesse para o tal sábado.

Fomos embora juntos, mas dessa vez só eu fiz carinhos nele.. estava chovendo, e "Kiss The Rain" veio na minha cabeça, mas algo me dizia que não, que era pra deixar pra lá. Na despedida senti que ele virou bem o rosto para não rolar o meio selinho de sempre.

Concluí que estava me apaixonando e que as probabilidades de ficar na sofrência eram grandes, já me apaixonei aos 19 e lembro muito bem o quão doloroso foi. Sabe essas coisas, de ficar rindo pra tela do celular quando recebe uma mensagem? 
Será que isso era ter um Crush? 

O random do ipod ainda me derrubou quando começou a tocar "Fools" do Troye Sivan. Por mais que eu não estivesse imaginando o nome dos nossos filhos como insinua a letra da música, o refrão diz que somente os tolos caem de amor por você e somente os tolos fazem o que eu faço. Poderia ser sobre amor, mas também poderia ser sobre estar sendo enganado.

Tenho um relacionamento aberto e meu marido é meu melhor amigo. O sexo pode ter acabado, mas nossa cumplicidade, confiança e carinho continuam. Até por que quando decidimos abrir o relacionamento, foi a partir do pensamento de que sim, podemos amar outras pessoas, amamos pai, mãe, irmãos, amigos, muitas vezes na mesma intensidade, o amor pelo ser humano é um só, e talvez amar uma pessoa só e querer que só ela te ame, seja um tanto egoísta. Mas enfim, não me abri muito sobre o carinha com ele. Mesmo assim ainda tinha que aguentar as piadinhas do tipo "Huuum, sei, vai gravar, né?", "Usa camisinha", "Traz ele aqui pra eu conhecer"... esse tipo de coisa.

Mas engraçado, nunca pensei em sexo com esse carinha, mesmo meu corpo tendo reações no episódio da cozinha, não era o que pensava... quando pensava, era algo do tipo carinho, cafuné, deitados na cama com a cabeça no peito... essas coisas...

Pois é...  Bloqueei o sentimento. Ou achei que bloqueei. Mas acredito ter bloqueado.
Na sexta veio o convite pro sábado e realmente não pude ir, mas mesmo que pudesse, eu nao iria (por causa da suspeita de plano diabólico lá).

Durante essa última semana achei ele meio estranho, não comentei nada, e tratei de já começar a semana como amigo, que talvez seria a proposta inicial.  E hoje, um mês e alguns dias que nos conhecemos, já confio um pouquinho mais nesse cara.

Sobre a suspeita de que ele estivesse afim de mim, ou que ele estivesse me usando, também tive uma decisão, resolvi ligar o foda-se. Como todo bom amigo, se eu puder ajudar nas gravações e projetos, ajudarei com prazer. Quando não der, não deu. E sobre ele estar apaixonado, acredito que não está e se estivesse me contaria, íamos rir muito e fazer vários videos com beijos no roteiro.

Sabe qual resposta eu tive sobre esse texto?

Defesas!
Se defendeu sobre usar as pessoas, se defendeu sobre tratar as pessoas novas de um jeito diferente, e quis saber quem foi que me falou sobre "sábado".

Me abri quase que por inteiro e não obtive respostas.

20-08-2016 - Kiss The Rain


Voltamos a nos ver apenas 7 dias depois. Era outra gravação. Outro sábado. Ele disse que não tinha papel pra mim, mas queria que eu estivesse lá.
Era na região do Ipiranga. Resolvi retribuir o chocolate do outro dia e a cerveja do último, comprando dois pacotes de chocolate Kinder.
Cheguei, e ele estava num mix de simpático e tenso ao mesmo tempo. Me convidou pra sair com ele dali e comprar coisas pra comer num mercado ali perto.
Tinha tanta gente ali, amigos novos e velhos, e ele chamou só eu.
Já no mercado ele me abraçava, me mordia, fazia carinho, como se fossemos namorados.
Depois fomos numa doceria e lá rolou a mesma manifestação de carinho.
Na volta, durante uma brincadeira, peguei ele no colo, na rua.
De volta ao trabalho, ele acabou por me incluir nas gravações, e durante elas ele criou uma cena onde eu dava um selinho num outro rapaz. Daí a coisa pegou. Eu desconfiava de tudo.
Um dos câmeras foi embora e ao se despedir me disse “Até Sábado”, eu não tinha marcado nada pra sábado. Indaguei. E ele respondeu “Não posso falar, você vai ver, sábado a gente se vê!”. Fiquei puto na hora. Então esse era o joguinho? Me enfiar em gravações todos os sábados?
Fomos embora e acabei pegando carona com ele no carro do rapaz que beijei em cena. Mas já estava ficando óbvio, a atitude dele mudava depois das gravações. Ele me tratava bem durante, mas quando acabava ele dava uma broxada, não chegava a ser grosso, mas não me tratava do mesmo jeito.
Estava chovendo e veio “Kiss The Rain” da Billie Myers na minha cabeça, mas logo tratei de parar de pensar nisso. Fomos no banco de tras do carro e ainda tentei fazer umas gracinhas, passar a mão na perna, fazer um carinho, mas ele bloqueava tudo. O rapaz que morava com ele estava no banco da frente, e talvez fosse por isso também.
Desci do carro e na hora de me despedir eu vi que ele virou bem mais o rosto pra não ter a possibilidade de rolar meio selinho.

No sábado seguinte fiz questão de negar qualquer convite.

13-08-2016 - Conversas e bloqueios


As conversas no Whatsapp continuaram intensas. Era a hora de ele retribuir a gravação, mas ele desmarcou pra poder gravar com uma amiga minha que tinha mais credibilidade, mais público.
Mesmo internamente chateado, entendi. Ele então me surpreendeu me convidando pra ir junto.
Era um sábado. O primeiro da leva. Marcamos as 13h30 no metrô, mas esse era o horário que ele estava saindo de casa. Ele chegou às 14h.
Ofereci irmos de Uber do metrô até a casa dela, afinal eram 4km. Ele preferiu ir a pé pra gente poder conversar. Passou numa conveniência e comprou duas cervejas. Logo depois o papo começou já meio tenso. Ele falou pra mim que tinha câncer, mas falou da mesma forma que disse que a cerveja não estava tão gelada.
Eu me bloqueei mais ainda nessa parte. Eu estava desconfiado de tudo, e isso era mais uma coisa. “Ele quer que eu tenha dó?” pensei.
Conversamos sobre vários assuntos, ex namorados, vida, etc.
Chegamos, e durante a gravação ele me tratou um pouco mal. Não queria que eu aparecesse no vídeo, deu alguns cortes...
Depois conversamos um pouco os três, e ele soltou sobre um ex que era o grande amor da vida dele, mas que era casado a 13 anos. Tudo isso era absorvido de uma forma estranha pela minha mente.
Fomos embora e ele novamente quis voltar a pé até o metrô. Só que dessa vez estava escuro e o caminho era bem deserto. Tive que ser cauteloso por receio aos assaltos.
Num determinado momento do caminho ele começou a falar de bloqueios, muralhas que colocamos pra que o outro não nos veja como somos. Ele dizia que eu tinha muitos bloqueios. E aí parou bem perto de mim, numa rua deserta, no meio da escuridão. “Será que ele quer um beijo?” – pensei. “Aqui?!”. Continuamos andando.

Pegamos o metrô. Ele estava um amor. Queria que eu jantasse com ele, mas eu estava atrasado e recusei. Ele deixou o vagão com uma cara triste.

12-08-2016 - A primeira gravação


Dia da nossa primeira gravação juntos.
Não sei por qual motivo, talvez pela primeira conversa, pelo primeiro contato, pensei que rolaria algo além da gravação naquele dia.
Foi um dia pesado, o marido de uma amiga havia falecido naquela semana e eu estava dando suporte a ela naquele dia. Então, entre  cartórios, visitas ao IML e outras coisas, eu dava uma olhadinha no texto pra decorar.
A noite comi no shopping, escovei os dentes  lá no banheiro do shopping mesmo e fui pra gravação.
Uma das cenas pedia um beijo, que foi na testa.
Ganhei um pacotinho de chocolates Kinder, que também achei estranho. Mas adorei.
Lembro dele dizendo que eu estava fisicamente diferente. Não senti na entonação de que era pra melhor. Mas aquela era a primeira vez que nos víamos à luz, afinal, na primeira vez estava de noite e era um local meio escuro.
Senti que eu já havia estado alí na casa dele, num sonho, não sei, mas as cores da parede em laranja e azul me davam um deja vu.
Em determinado momento, eu estava na cozinha dele aguardando minha cena e ele veio e me abraçou. Ouvi os sininhos. Achei até que rolaria um beijo, mas fiquei na minha.
Rolou uma festa de aniversário surpresa depois da gravação e depois o povo foi indo embora. Achei novamente que era pra eu ficar que rolaria algo depois, mas não rolou. Ele meio que se fechou, eu me senti sobrando, e fui embora.

Ele me levou até o portão do prédio, e na hora da despedida me deu meio selinho de novo. 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

27/07/2016 - O início

Tudo começou em 27 de julho de 2016. Eu estava com uma amiga num happy hour, despretensioso, quando nossos caminhos se cruzaram.
Nos olhamos, fixamos o olhar. Quando passei por ele, algo me disse pra virar e olhar mais uma vez. E fiz. Ele também olhou, e voltou. Gelei.

- Eu te conheço de algum lugar... 

Disse ele iniciando uma conversa de assuntos bem aleatórios.

Eu estava num bom dia, feliz, e a conversa foi evoluindo. Ele estava acompanhado de um amigo, e eu com minha amiga.
Durante o papo ele apertou meu braço e elogiou dizendo que eu era forte (cabe aqui uma interrogação, pois não sou forte), chegou bem perto do meu pescoço pra sentir meu perfume, o tipo sedutor. Depois saiu pra ir ao banheiro e demorou a voltar. Na real foi socializar com outros grupos.

O amigo dele resolveu fazer meu mapa astral, alí, na hora. Eu já meio desconfiado do que rolava decidi mentir alguns dados. O amigo então me perguntou se eu me apaixonava fácil (baseado no tal mapa astral), e eu respondi rapidamente que não. Nem  me lembrava da última vez que tinha me apaixonado. Anos.

Mas alí bateu a primeira dúvida: Será que o tal rapaz escolhia pessoas pra seduzir e deixa-las apaixonadas? Talvez se eu tivesse acreditado na minha intuição naquele segundo, não estaria aqui escrevendo esse texto.

O rapaz voltou e saiu várias vezes. E depois decidiu ir embora. Antes da despedida ele quis trocar contatos. Disse que eu não conseguiria adiciona-lo no Facebook, pois já tinha atingido o limite máximo de amizades, e assim, ele mesmo me adicionou.

Me abraçou e falou bem no meu ouvido:

- Você já tem como me achar, não tem desculpa.

Meu cérebro já não entendia mais nada, que rapaz atirado! 
Ele se despediu com meio selinho (!) e foi embora dizendo que eu era feio (!).
Continuei na festa um pouco mais e também fui pra casa. 

Ás 22h30 do mesmo dia ele me mandou um emoji de beijo no Messenger. Respondi a mesma coisa cerca de meia hora depois. E logo ele já iniciou uma conversa:

- Tudo bem, Lindão?
- Ué... falou que eu era feio... Decida-se! Hahaha
Eu minto, as vezes.
- E qual seria a verdade?
- É fofo.
Hahaha. Fofo é tipo "pegável"?
Hahaha é mais que isso!
- Você fala isso pra todos hahahaha
Claro que não.

Uma conversa básica que seguiu pro WhatsApp.

O que você deduziria desse primeiro dia de contato? 
Pra uma primeira impressão rápida, essa pessoa quer ser meu amigo-irmão ou quer me pegar?

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Começando Pelo Fim

Hoje eu só queria deitar e morrer. Mas não consigo morrer de novo.

Algo grita aqui dentro pra eu fazer um blog e desabafar, soltar tudo em palavras. Que ninguém veja, não é com essa intensão, e talvez, no meu subconsciente ou num consciente não assumido, quero apenas que uma pessoa veja. 

Daí penso ser desnecessário, de quê resolveria? Seria motivo de risos.


- Essa é a minha frase do dia... ou da semana... ou do mês de abril... ou do ano de 2017 até agora!
- Mas é preciso os dias de chuva pra gente ver os de sol mais limpos...
- Tem chovido na minha vida desde julho de 2016. Já nem lembro como é o sol.
- Mas suponhamos um campo de flores... Como vai florescer se só bater sol?
- Já afogou todo o campinho, tudo alagado... e não sei se tem sementes pra replantar.
- Lá vem você com o jeito filosófico do outro lá. Falou praticamente igual.
- Pior que é verdade... Então, de repente, quando ele falava assim, talvez estivesse realmente mal.
- E outra. Se tivesse apenas chovido, você nem estaria MESMO aqui.
- Digamos que desde 31 de dezembro eu não esteja mais aqui. Mas ja faz duas semanas que eu realmente só estou aqui fisicamente.
- O que aconteceu em 31 de dezembro?
- O pior Ano Novo da minha vida? Com ele aqui, e eu na expectativa de ganhar um beijo na virada, quando na verdade virei o ano vendo ele beijar outra pessoa. Minha descida até o fim do poço começou ali. Tem pior ano novo?
- Tem, mas não tô aqui pra competição de dor. 

Dia 19 de abril de 2017. Acordei péssimo. Não vendo sentido em absolutamente nada. 
Um dia lindo de sol. Me dizendo adeus. 
Fiz toda a minha rotina meio que me despedindo de tudo. 
Ainda pensei nas pendências que deixaria e que afetariam outras pessoas e isso me preocupava.
Cheguei em casa disposto a tal pensamento.
Fiz uma lista de tudo de ruim que fiz nessa vida, outra com tudo de mal que passei nela. Fiquei pior.
Editei um video com diversas cenas minhas de diversas fases da minha vida e postei no facebook sem nenhuma legenda. 
Quem viu, poderia dizer "que egocêntrico!", mas era um video de despedida.
Não vou colocar aqui a receita de como fiz pra me despedir, não é um incentivo. 
Apenas deitei e parti. 
E desde o dia 19 de abril eu estou morto.