segunda-feira, 22 de maio de 2017

01/09/2016 - A Declaração

No dia primeiro de setembro eu escrevi um textão me declarando. Não estava meio apaixonado e queria ter respostas. Me sentia enrolado.

Segue o textão enviado:

SOBRE UM PASSADO NÃO TÃO DISTANTE

Uma vez nu Happy Hour cruzei com um carinha, bonitinho até, nosso olhar se entrelaçou e ele veio falar comigo. Disse que me conhecia de algum lugar e eu só pensando "Huuum, conta outra"... O cara me cantou em vários momentos, não sou burro! Me abraçou, me apertou, cheirou meu perfume, e na hora de ir embora ainda me deu meio selinho, fiquei meio whatafuck? mas continuei na festa. Ainda na festa, um amigo dele me perguntou se eu me apaixonava fácil, respondi que não, mas aquilo ficou meio marcado, qual seria o interesse? Até que, chegando em casa, tinha uma mensagem desse cara no meu celular e começamos a conversar diariamente. Me lembrei então que eu não conversava diariamente nem mesmo com minha melhor amiga, mas ok, o problema poderia ser eu. 

Sempre fui de boas, nunca fui de me apaixonar rápido, ou fácil, mas tava achando tudo muito estranho... ok, pessoas são diferentes, mas a gente sempre utiliza da experiência que a vida dá pra poder desvendá-las. 

Fui até a casa dele pra gravar uma participação num vídeo. Lá, rolou tudo normal, talvez seria um sinal eu ter ganhado um chocolate, mas também poderia ser gentileza. Em um determinado momento ele me abraçou na cozinha e durante aqueles 5 segundos ou menos até, eu senti aqueles sinos baterem, sabe aqueles anjos com cornetas? Pois é... até me excitei e ainda pensei de novo whatafuuuck!??? Depois da gravação, nos despedimos e estranhamente rolou o meio selinho de novo.

Resolvi pagar pra ver, me virei em 10 pra estar livre num sábado pra levar esse tal cara pra gravar na casa de uma colega, mas no lugar de desvendar enigmas, acabei por ganhar mais outros. Na volta, na rua, tudo escuro, ele resolveu reduzir o passo, e minha cabeça já pensando "o que é que ele quer?" "ser assaltado?" "quer que eu roube um beijo?" "o quê?". Não passou de uma conversa sobre bloqueios, barreiras, etc...

Na semana tentei pedir dicas, sinais, e ele me disse apenas que não jogava confete. Talvez eu, um tanto burro, tenha interpretado os sinais errado? Ainda não.. na minha cabeça, ali tinha algo a ser desvendado. Comecei a achar que ele estivesse fazendo joguinhos, e eu não me dou bem com joguinhos.

Durante a semana, ouvi "Kiss The Rain" da Billie Myers no rádio num dia de chuva e me lembrei de um sonho de adolescente que era beijar alguém na chuva ao som dessa música (algo bem cliché, apesar do significado da música ser outro). E ainda passou pela minha cabeça que talvez ele fosse a pessoa que eu quisesse realizar isso.

Sábado chegou e ele novamente me chamou pra gravar. Em determinado momento fomos ao mercado e lá estávamos conversando e interagindo como se fossemos namorados... carinhos, mãos dadas, mordidas... meu, o que é que tá rolando? Até peguei ele no colo.

Nesse dia, lá na gravação, tinha outro rapaz (o qual tive que beijar em cena...) e vi que ele tinha o mesmo tipo de carinho (em menor intensidade talvez) com esse outro rapaz, ok, então é só o jeito dele de tratar as pessoas, não sei... Mas comecei a analisar que ele só tratava assim as pessoas novas em sua vida, as antigas não recebiam carinho desse jeito.
Comecei a pensar em outra coisa: "será que ele seduz as pessoas pra, sei lá, trabalharem pra ele de graça?"

Nada fazia 100% de sentido...

Até que, na hora da despedida, alguém me falou "Até sábado!" - e eu logo rebati "Oi?! Sábado!?" - não tínhamos marcado nada pra sábado. E a pessoa completou "Ai, não posso falar muito, mas até sábado! Você vai ver..." - fazia tempo que não me encucava com algo, e essa frase me fez ter um pouco mais de certeza de que estava sendo usado. Não tinha como pensar diferente de uma pessoa que eu havia conhecido a 15 dias. Ou tava me usando, ou tava afim também, mas pelos sinais, fiquei com a primeira opção. Falei pra mim mesmo que iria negar qualquer proposta que viesse para o tal sábado.

Fomos embora juntos, mas dessa vez só eu fiz carinhos nele.. estava chovendo, e "Kiss The Rain" veio na minha cabeça, mas algo me dizia que não, que era pra deixar pra lá. Na despedida senti que ele virou bem o rosto para não rolar o meio selinho de sempre.

Concluí que estava me apaixonando e que as probabilidades de ficar na sofrência eram grandes, já me apaixonei aos 19 e lembro muito bem o quão doloroso foi. Sabe essas coisas, de ficar rindo pra tela do celular quando recebe uma mensagem? 
Será que isso era ter um Crush? 

O random do ipod ainda me derrubou quando começou a tocar "Fools" do Troye Sivan. Por mais que eu não estivesse imaginando o nome dos nossos filhos como insinua a letra da música, o refrão diz que somente os tolos caem de amor por você e somente os tolos fazem o que eu faço. Poderia ser sobre amor, mas também poderia ser sobre estar sendo enganado.

Tenho um relacionamento aberto e meu marido é meu melhor amigo. O sexo pode ter acabado, mas nossa cumplicidade, confiança e carinho continuam. Até por que quando decidimos abrir o relacionamento, foi a partir do pensamento de que sim, podemos amar outras pessoas, amamos pai, mãe, irmãos, amigos, muitas vezes na mesma intensidade, o amor pelo ser humano é um só, e talvez amar uma pessoa só e querer que só ela te ame, seja um tanto egoísta. Mas enfim, não me abri muito sobre o carinha com ele. Mesmo assim ainda tinha que aguentar as piadinhas do tipo "Huuum, sei, vai gravar, né?", "Usa camisinha", "Traz ele aqui pra eu conhecer"... esse tipo de coisa.

Mas engraçado, nunca pensei em sexo com esse carinha, mesmo meu corpo tendo reações no episódio da cozinha, não era o que pensava... quando pensava, era algo do tipo carinho, cafuné, deitados na cama com a cabeça no peito... essas coisas...

Pois é...  Bloqueei o sentimento. Ou achei que bloqueei. Mas acredito ter bloqueado.
Na sexta veio o convite pro sábado e realmente não pude ir, mas mesmo que pudesse, eu nao iria (por causa da suspeita de plano diabólico lá).

Durante essa última semana achei ele meio estranho, não comentei nada, e tratei de já começar a semana como amigo, que talvez seria a proposta inicial.  E hoje, um mês e alguns dias que nos conhecemos, já confio um pouquinho mais nesse cara.

Sobre a suspeita de que ele estivesse afim de mim, ou que ele estivesse me usando, também tive uma decisão, resolvi ligar o foda-se. Como todo bom amigo, se eu puder ajudar nas gravações e projetos, ajudarei com prazer. Quando não der, não deu. E sobre ele estar apaixonado, acredito que não está e se estivesse me contaria, íamos rir muito e fazer vários videos com beijos no roteiro.

Sabe qual resposta eu tive sobre esse texto?

Defesas!
Se defendeu sobre usar as pessoas, se defendeu sobre tratar as pessoas novas de um jeito diferente, e quis saber quem foi que me falou sobre "sábado".

Me abri quase que por inteiro e não obtive respostas.

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