Voltamos a nos ver apenas 7 dias depois. Era outra gravação.
Outro sábado. Ele disse que não tinha papel pra mim, mas queria que eu
estivesse lá.
Era na região do Ipiranga. Resolvi retribuir o chocolate do
outro dia e a cerveja do último, comprando dois pacotes de chocolate Kinder.
Cheguei, e ele estava num mix de simpático e tenso ao mesmo
tempo. Me convidou pra sair com ele dali e comprar coisas pra comer num mercado
ali perto.
Tinha tanta gente ali, amigos novos e velhos, e ele chamou
só eu.
Já no mercado ele me abraçava, me mordia, fazia carinho,
como se fossemos namorados.
Depois fomos numa doceria e lá rolou a mesma manifestação de
carinho.
Na volta, durante uma brincadeira, peguei ele no colo, na
rua.
De volta ao trabalho, ele acabou por me incluir nas
gravações, e durante elas ele criou uma cena onde eu dava um selinho num outro
rapaz. Daí a coisa pegou. Eu desconfiava de tudo.
Um dos câmeras foi embora e ao se despedir me disse “Até
Sábado”, eu não tinha marcado nada pra sábado. Indaguei. E ele respondeu “Não
posso falar, você vai ver, sábado a gente se vê!”. Fiquei puto na hora. Então
esse era o joguinho? Me enfiar em gravações todos os sábados?
Fomos embora e acabei pegando carona com ele no carro do
rapaz que beijei em cena. Mas já estava ficando óbvio, a atitude dele mudava
depois das gravações. Ele me tratava bem durante, mas quando acabava ele dava
uma broxada, não chegava a ser grosso, mas não me tratava do mesmo jeito.
Estava chovendo e veio “Kiss The Rain” da Billie Myers na
minha cabeça, mas logo tratei de parar de pensar nisso. Fomos no banco de tras
do carro e ainda tentei fazer umas gracinhas, passar a mão na perna, fazer um
carinho, mas ele bloqueava tudo. O rapaz que morava com ele estava no banco da
frente, e talvez fosse por isso também.
Desci do carro e na hora de me despedir eu vi que ele virou
bem mais o rosto pra não ter a possibilidade de rolar meio selinho.
No sábado seguinte fiz questão de negar qualquer convite.
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